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16 de dez. de 2011

"Família é prato difícil de preparar"


(do livro "O Arroz de Palma”, de Francisco Azevedo)


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é "à Moda da Casa". E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

24 de out. de 2011

SEJA UM IDIOTA




A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?

hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.

Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva.

Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!

Arnaldo Jabor

19 de ago. de 2011

Por Que se Apaixonar é Mais Fácil Que Esquecer?






Ficamos apaixonados por alguém num piscar de olhos, mas porque demoramos mais pra esquecer?


Fácil. Sabemos que no processo da paixão estão envolvidos vários fatores químicos e psicológicos que fazem com que a gente se sinta bem, quase como uma droga.

Nós buscamos mais e mais pela sensação gostosa de borboletas no estômago e arrepios, assim tudo acontece rápido demais. Buscamos sempre por aquilo que faz com que a gente se sinta bem.


Ao contrário, quando somos terminados, ainda estamos tentando buscar pela boa sensação, e percebemos que ela não vai mais aparecer.

A perda se torna real, e quando não aceitamos a tal perda, guardamos a pessoa dentro da gente, e ficamos remoendo os bons momentos que não irão mais voltar.

Quanto mais a gente mantém as boas memórias dentro da gente, mais sofremos.

As boas memórias não deviam fazer mal não é mesmo?

Elas fazem porque não irão se repetir com a tal pessoa. Você não está se lembrando daquela viagem que fizeram como uma lembrança boa que aconteceu, mas com uma sensação de que nunca mais terá o momento de volta, sensação de que você não foi relevante na vida deste alguém, de que a pessoa não dá mais a mínima pra você.

Não é mais difícil a gente esquecer do que amar. Acontece que para a pessoa que se separa, que “vai embora”, a paixão acaba da mesma forma que começa. Só depende do ponto de vista.

Algumas pessoas nem mesmo conseguem se apaixonar facilmente, enquanto outras, basta um “oi tudo bom”, que elas já estão suspirando sem entender o sentimento repentino.



Fonte: Um Ombro Amigo

14 de ago. de 2011

Por que as relações acabam?



Olá a todos e todas, desde que começamos a nos entender por gente, e quando realmente parecemos nos portar como se fossemos, passamos a querer compartilhar nossos momentos com um alguém especial. Ok, algumas pessoas desejam compartilhar com muitos “alguéns”, mas não estou falando de micaretas em Salvador, até porque lá, para todos os efeitos, todo mundo é especial.

1 + 1 = ?

Voltando ao tema principal, não sei exatamente o que nos faz querer abrir mão da solidão, pode ser algo cármico como praticantes do espiritismo acreditam, coincidência, espirito de sobrevivência ou ainda a crença no que minha professora de “Educação Moral e Cívica” nos passava: “o homem não é uma ilha”.

Mas, de qualquer forma, tanto faz. O fato é que a maioria de nós deseja um par, por pior que ele pareça ser aos olhos alheios.

No tempo dos meus avós, os relacionamentos “duradouros” se iniciavam ainda na adolescência, não raro era alguém casar com 16 anos, tendo aquela penca de filhos na sequência.

Hoje é quase certo de que a primeira namorada ou o primeiro namorado não será o ponto final na vida afetiva de alguém. Por esse caminho, muitos passarão até que a vida acabe.

Pelo menos uma coisa é certa na vida de todos, um dia tudo que existe desaparece ou muda para algum lugar que não conhecemos.

Uma das minhas teorias é que as relações acabam para que nós nos desapeguemos aos poucos do que significa estar vivo e ter desprendimento para quando a hora final chegar.

Conheço pessoas que se casaram mais que cinco vezes. Isso é que é gostar de casamento! Quando falo com elas sempre tenho a percepção de que nada é para sempre. Elas se mostram muito mais tranquilas ao falar de como o relógio da vida age, lentamente, silenciosamente, mas também, impiedosamente.

Muito bem, se é garantido a todos que morreremos algum dia, da mesma forma que também é notório que as pessoas estão se casando e separando mais, de que forma podemos trabalhar para manter um relacionamento com qualidade e certa longevidade?

Anote a receita: meia dúzia de galinhas pretas, dois litros de azeite de dendê, muito de caldo de galinha caipira (serve aquele vendido no supermercado), três quilos de cuscuz marroquino e um frasco de pimenta.

Depois de tudo comprado, mande um chef de cozinha preparar um bom almoço. Se vai resolver eu não sei, mas fome ninguém passará!

Brincadeira a parte, seria leviano da minha parte afirmar existir uma regra mágica, e muita inocência de quem acredita.

Pontes ou muros? Ouvir é mais difícil que falar

Porém, acredito que existe um caminho universal para fazer a travessia entre o que é bom para um e o que é bom para o conjunto, é um bem antigo, mas muito desprestigiado nos últimos tempos: o diálogo.

Não estou falando daquela conversa fora onde um olha para o teto ou para a televisão enquanto o outro finge escutar enquanto responde mensagens no computador.

Quando falo em diálogo, me refiro a capacidade de abrir os ouvidos e a mente para que a comunicação ocorra.

Parece muito fácil escutar o que os outros dizem e, em tese, é mesmo. Facílimo! O problema está mesmo em nos mostrarmos abertos para os sons que os ouvidos estão trazendo. Isso sim é complicado.

Quando evitamos “ouvir” e só “escutamos”, a ponte entre os diversos mundos não é construída. Em boa parte dos casos, ao invés de pontes, acabamos por construir muros.

Discordo da frase antiga que dizia “quando um não quer, dois não brigam”. Isso podia funcionar, mas não em uma época onde as partes de um relacionamento são iguais, pelo menos, deveriam ser.

É muito possível que brigas ocorram apenas porque um lado quer, por outro lado, acho muito improvável que um desentendimento termine por conta apenas de um dos lados.

Se “ouvir” o outro fosse fácil, separações não existiriam. Duvido muito que as diferenças entre duas pessoas que tem afinidades e afeto sejam suficientes para separar o casal. É preciso mais que isso, é necessário que o diálogo falte.

Com o tempo, as partes se cansam de argumentar e vão criando ressentimentos que ficam estocados até o dia do rompimento. Quando ocorre a separação geralmente se escuta tudo aquilo que deveria ter sido dito ao longo do tempo, e que, dependendo da forma com que seria posto, teria feito a relação se perpetuar ainda mais.

Falar sobre o que sente é um começo

Também preciso ressaltar que ninguém escuta o vento, portanto, faz-se necessário que ambos exponham suas divergências com a finalidade de resolvê-las.

Os homens têm muito mais dificuldade em expor seus sentimentos, basicamente por dois motivos:

  1. Foram ensinados a serem fortes, ou no mínimo, parecerem ser. Os homens acreditam que, ao abrir suas emoções demostrarão fraqueza.
  2. Falta de prática. Falar sobre futebol é rotineiro, mas falar sobre como se sente é muito raro.

As mulheres têm muito mais habilidade para falar sobre qualquer coisa, desde novas se mostram mais comunicativas, porém há um problema sério, tendem a perder o foco das discussões.

Em um mundo perfeito as mulheres deixariam claro o que lhes chatearam, de forma tranquila, sem envolver problemas da semana anterior, família ou alguma conjectura de coincidências e o homens se mostrariam mais dispostos a falar sobre como o que acontece influência na sua vida.

Pensem a respeito, será que a comunicação não está com problemas? Um professor que eu tive sempre dizia “comunicação não é o que você fala somente, mas também é o que o outro escuta”.

O amor ou a falta dele não acaba uma relação

Finalizando o tema, pude notar, ao longo dos anos e dos relacionamentos que vivi, é que o amor é supervalorizado quando se fala em manter um relacionamento vivo.

É preciso mais que amor. É preciso doação, o que inclui falar e ouvir.

Fonte: Urso Branco

16 de jul. de 2011

A PORTA DO LADO Por Dráuzio Varella




Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a
gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos
que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos
mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.

E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente...

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na
garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de
simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua
vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a
abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de
algumas pessoas melhor, e de outras, pior.

Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos,
mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.

Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para
eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor
diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último
biscoito do pacote. Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca
ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga
e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente.
O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também.
É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema
solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser
resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido
de desculpas, um deixar barato.

Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro
horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou
perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e
gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a
"porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do
bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros
dá errado."

Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não
estrague o seu dia... Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia.
Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto,
sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.
A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!

A GENTE SE ACOSTUMA Marina Colassanti


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.
A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Caio Fernando de Abreu/ Texto





Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em vc.
Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança.
Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você.
Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro.
Quis tanto dar, tanto receber.
Quis precisar, sem exigências.
E sem solicitações, aceitar o que me era dado.
Sem ir além, compreende?
Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana.
Mas o que tinha, era seu.
Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. Tinha terminado, então.
Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas.
Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros.
De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento.
Ser novo.
Mesmo que a gente se perca, não importa.
Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro.
Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.
Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.. . .
E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.

A dor do amor que se acaba*

Todo casamento que “acaba” já se acabara muito antes. O amor é sentimento tão forte que até para admitir o seu término é necessário tempo. Quando algo estoura ou vem à tona é porque de há muito borbulhava, subterrâneo. Aceitar que o amor acabou é tão difícil como admitir sua existência!

Fico a pensar nos quilômetros de discussões com as quais milhares de casais disfarçam o amor que começa a terminar ou já morreu e começa a tresandar. Penso na dor sorrateira e covarde do amor que começa a acabar.

Penso no sentimento de perda que se instala até nas relações que se tornam frias e distantes. Sofro por pessoas que estão trilhando o doloroso caminho da descoberta dos impasses com o ser amado; a que estão descobrindo defeitos, desencontros, impossibilidades de encaixes e de suplementação nas relações. Penso nos que estão tentando gostar e já não mais conseguindo. Compadeço-me dos que colocam flores e esparadrapo na própria decepção ou no cansaço de suas relações rotinizadas, cristalizadas, congeladas.

A dor do amor que não se realizou gera doloroso sentimento de perda. A perda prescinde do amor. Até onde este não mais existe, ela dói e machuca. O sentimento de perda transcende o amor. Talvez seja maior, como sentimento, que o amor, pois o sentimento de perda dura a despeito de haver acabado. Sente-se a perda da pessoa a quem se amou e sente-se a perda do amor. A perda dói, porque construída de esperanças mortas, pois se é esperança, morta não está. O que se jaz morto em cada perda não é o amor anterior: é a esperança de felicidade e de encontro que não se realizou. Está morto, mas como é esperança ainda vive e o que vive dói. Por isso, o sentimento de perda é complexo e cheio de dobras ilógicas.

O que dói no amor que termina não é o fato de ter acabado. Nesse sentido é até alívio. Dói o fracasso do que poderia ter sido; é a contemplação da morte através da verificação da existência de uma pessoa em nós e no outro que já não existe, que mudou, transformou-se e cresceu ou apodreceu e piorou.

A gradativa aceitação da inexistência do amor é ferrugem existencial difícil de ser aceita. Por isso, o amor passado é dotado de muitas caras e para se proteger dessa ferrugem admite crescer em outras direções igualmente prazenteiras: a da amizade, carinho e compreensão.

Artur da Távola

*Texto com adaptações

14 de jul. de 2011

SER CHIQUE SEMPRE

SER CHIQUE SEMPRE - GLÓRIA KALIL

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos
dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo
carro Italiano.

O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é ser discreto.
Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuaçõe inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.
É lembrar-se do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais!
Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.

É "desligar o radar", "o telefone", quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com "trocentas" plásticas do físico... quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão,
intolerância, ateísmo...falsidade.

Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo,
vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo.


Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não
aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!

Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas, Amor e Fé nos tornam humanos!

GLÓRIA KALLIL

10 de jul. de 2011

Isso é Sacanagem !


Isso é Sacanagem !

Oi galerinha, esses dias estava fazendo algumas visitas em blogs e sabe o que percebi? É que os blogs mais visitados são os blogs sobre vida sexual, ou em uma palavra mais popular é sim sobre sacanagem. Mais por que as pessoas procuram isso na vida virtual? Sendo que podem praticar na vida real? E qual é o público maior sobre esse assunto? Não sabe? É sim, são os homens.

Quem nunca teve um rolinho que admitiu assistir filmes pornôs? E quando você chegava no sábado a noite, e esse rolinho ia direto pra TV fingir que estava procurando alguma coisa de interessante na programação, mas que na verdade já tinha aquele certo foco no que iria assistir, e a menina achando que ele teria preparado um filme romântico... que nada de repente aparece aquele pornozão (sem frescuras) e com toda a violência ...rs Isso é uma puta de uma sacanagem.
É meninas as vezes sofremos com isso né, admito que tenho amigas que amam ver um pornô, antes de queimar a calabresa, e os homens amam quando elas também curte. Quer dizer, curte até quando elas não curtem (é isso ai, você entendeu rs). Mais durante esses anos de adolescência sempre me perguntei, porque os homens gostam tanto de pornografia? Já vi casos, do cara deixar a menina esperando, pra ficar em casa assistindo filminhos de putaria e massageando seu ‘pentelho’ (pra não dizer outra coisa). Isso já faz parte de um ritual da própria raça. Fora quando no próprio ato sexual, inventa de gravar tudo ( comentarei isso em um próximo post ) enquanto estão lá, no bem bom.
Os homens que são os maiores alvos são os adolescentes na fase da puberdade ... é sim, aquele cara cheio de espinha. Na sua escola, olhe em volta e perceba aqueles meninos quietinhos ou até aqueles bagunceiros, fodões... eles brincam a noite sim, provavelmente 24h por dia com os 5x1.Vamos saber algumas verdades sobre filme pornô?

Os homens no filme pornô sempre tem aparência de um cavalo, todo fortão e com um bastão de 30 centímetro, mas qual mulher já viu um desses na vida real ? Acredito que são poucos homens que nascem bem dotados. E os meninos que estão começando agora sua vida sexual, acha que também tem que ter um daquele de 30 centímetros, isso acaba com eles...porque ele sabe que a partir de uma idade, não cresce mais !
As mulheres não gostam daquela violência, aquela rapidez sem cuidados... pelo menos na minha cabeça, sabe por que ? Podemos ver no filme as mulheres sendo tratadas como vaca sem a mínima dó, (elas sofrem) não sentem prazer. E não vem com a idéia de fazer rápido que as mulheres não gostam disso #FIKDik, pra que tanta rapidez?
No filme também podemos ver aquelas mulheres, gritando horrores.. não disse? É elas não sentem prazer, gritam muito, mas é de dor e acho forçado demais, ficam gritando histericamente sendo que o homem não passa nenhuma expressão, ficam com aquela cara de tacho...louco pra sair de cena e receber seu salário pelo trabalho feito. (uhausa’)

Outra coisa péssima, mais as mulheres que acompanham esse mundo pornô procuram fazer igual, é aquela garganta profunda... é profunda mesmo. Mas que graça tem, colocar tudo na boca e tentar engolir? O mínimo que ela irá conseguir é vomitar. O que importa para o homem é que saibam trabalhar com os movimentos da boca, não ver se consegui engolir ou passar pela garganta.
Quem nunca ouviu alguma amiga dizer que gosta de usar saliva para se lubrificar? Eu já ouvi, mais o que devemos saber mulheres é que o lubrificante tem que ser natural, ele é que precisa saber como excitar uma mulher e se ele não conseguir, mande ele estudar direitinho a matéria. E a cena final? Onde o cara consegui enfim se satisfazer e no final joga tudo na cara da mulher ? Essa coisa de jogar na cara, é bem exclusiva do filme pornô. Existe mulheres que curtem isso, são poucas, então se encontrar uma que goste, seja bem feliz. Mas pela maioria, digo que isso é bem nojento, até os próprios homens confessam.
Então meninos, na hora de dar aquele tapa na primeira transa, tente saber primeiro do que ela gosta ... porque senão terá que apelar e fazer o 5x1. Porque a vida de pornô, nem tudo que se passa podemos colocar em prática, isso é fato.

Também tem um ponto que muita gente esquece é que para muitos homens, o filme pornô foi talvez o primeiro “educador sexual”. Desde muito antes da internet os homens sempre deram um jeitinho de ter acesso à pornografia. A verdade é que muitos aprenderam como se faz, assistindo, antes de partir para a prática e desenvolver seu próprio estilo.
Acredite meninas, nem todo cara que vê filme pornô, se imagina transando com a atriz pornô, enquanto transa com a namorada. A sexualidade é uma coisa que todo mundo gosta, a partir do momento que experimenta na vida real.

Por que não entrar na onda dele e assistir a um pornô juntinhos?
Se for criticar, comente de uma forma inteligente. ok ?

by Dani Mercês

9 de jul. de 2011

Paulo Coelho



Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar.

Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.


Estique-se



Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano

Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.

Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.

Guarde as antigas cartas de amor.

Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos
vinte e dois
o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda
não sabem.

Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas
bodas de diamante.

Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você,
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo,
É assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!!
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele,
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.

Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles
terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu
passado e
possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.

Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns
poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,
Mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.

Viaje.

Aceite certas verdades inescapáveis:
E não espere que ninguém segure a sua barra.

Pedro Bial

TUDO O QUE HOJE PRECISO REALMENTE SABER, APRENDI NO JARDIM DE INFÂNCIA...







Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia.

Estas são as coisas que aprendi:
1. Compartilhe tudo;
2. Jogue dentro das regras;
3. Não bata nos outros;
4. Coloque as coisas de volta onde pegou;
5. Arrume sua bagunça;
6. Não pegue as coisas dos outros;
7. Peça desculpas quando machucar alguém; mas peça mesmo !!!
8. Lave as mãos antes de comer e agradeça a Deus antes de deitar;
9. Dê descarga; (esse é importante)
10. Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você;
11. Respeite o limite dos outros;
12. Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco... desenhe... pinte... cante... dance... brinque... trabalhe um pouco todos os dias;
13. Tire uma soneca a tarde; (isso é muito bom)
14. Quando sair, cuidado com os carros;
15. Dê a mão e fique junto;
16. Repare nas maravilhas da vida;
17. O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem... nós também.

Pegue qualquer um desses itens, coloque-os em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo, ao seu mundo e vai ver como ele é verdadeiro, claro e firme. Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos e leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra básica, devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair. Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.


"O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver"...

Pedro Bial

Mude


"Mude.
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção os lugares por onde você
passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço
alguns dias.
Tire uma tarde inteira pra passear livremente na
praia, ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma do outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros
jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia,
o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo
jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida, compre pão em outra
padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos óculos, escrevas outras
poesias.
Jogue fora os velhos relógios,
quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros
teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um novo emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais
prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas.
Mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o
dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"


Pedro Bial

Morrer é Ridículo


A morte, por si só, é uma piada pronta.
Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada,
está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem,
precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER!!!
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio
estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve
lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física,
quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para
estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer
da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora
de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway,
numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém,
sem ter dançado com a garota mais linda,
sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e
penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas,
a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce,
caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina,
começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte
costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.
Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o
sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase
nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão,
desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!!!

Pedro Bial


Morte


Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos.

Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.
Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.

Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam.

A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da
tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente.

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.

Qual é? Morrer é um cliche.

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas
cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e
morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério?

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.

Só que esta não tem graça.

Filtro Solar!












Filtro solar!
Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro
seria esta: usem o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de Filtro Solar estão provados e comprovados pela ciência,
Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.
Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês...

Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da
juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude
até que tenham se apagado.
Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos,
E perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia,
Quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente.
E como você realmente estava com tudo em cima,
Você não está gordo ou gorda...

Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que
pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar
resolver uma
equação de álgebra.
As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada,
E te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta.

Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.

Cante.

Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.

Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.

Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.

Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos
vinte e dois
o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda
não sabem.

Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.

Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas
bodas de diamante.

Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você,
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo,
É assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!!
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele,
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio

Refrão: Brother and Sister
Together we'll make it trough
Someday a spirit will take you
And guide you there
I know you've be hurting
But I've been waiting to be there for you
And I'll be there just helping you out
Whenever I can

Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles
terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu
passado e
possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.

Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns
poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,
Mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.

More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.

Viaje.

Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer.
E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,
E as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos!!
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar.
Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.

Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo,
esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas, no filtro solar, acredite.

Escolhas de uma vida




Textos de Pedro Bial


Escolhas de uma vida




A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!

Pedro Bial

7 de jul. de 2011

Homofobia ou direito de escolha? Myrian Rios e suas declarações controversas



Olá a todos e todas, ao ler os trend topics do Twitter – para quem não sabe do que estou falando é bom se informar – percebi a presença de um nome conhecido: “Myrian Rios”.

Muito bem, a última coisa que havia me lembrado da existência dessa pessoa era o fato de ter sido casada com o Roberto Carlos nos anos 80. Nada mais. Para minha surpresa descubro que a jovem senhora é deputada estadual pelo estado do Rio de Janeiro, entrando graças a votação expressiva do Wagner Montes, naquele rolo que é o voto proporcional, mas falo disso outro dia.

Confesso que fiquei curioso ao vê-la novamente, logo imaginei que ela teria morrido ou sofrido algum acidente. No Twitter pessoas que já foram famosas voltam a ter destaque por duas coisas: morreram ou fizeram merda.

Resumidamente, ela foi muito mencionada por conta de declarações controversas que deu a respeito de orientação sexual e sua ligação com pedofilia.

Direito ou preconceito?

Quero chamar atenção para dois trechos, segue o primeiro:

“Digamos que eu tenha duas meninas em casa e contrate uma babá que mostra que sua orientação sexual é ser lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa.”

Nesse ponto dou razão a ela. Pronto, com essa posição sei que deixei muita gente enfurecida, até mesmo aqueles que concordam com ela, mas que não admitem porque não querem ser rotulados de preconceituosos.

Estamos vivendo uma espécie de novo período inquisitório. O preconceituoso é a nova bruxa. Quem não se lembrar do que foi o período de caça as bruxas na idade moderna

Muitos de nós nutrimos algum tipo de preconceito, eu estou nessa lista, tenho diversos, alguns caíram conforme fui ficando mais velho, outros não. Por exemplo, quando era mais novo achava que tatuagem era coisa de gente sem noção, hoje eu já acho que tem gente sem noção que abusa das tatuagens.

Ter preconceito é natural. Antes de nos informarmos melhor sobre qualquer assunto concebemos uma ideia do que aquilo significa. Isso é um mecanismo de defesa que temos, institivamente procuramos nos tornar conhecedores do desconhecido para que o mesmo não nos meta medo.

Nesse caminho ignorante acabamos formando conceitos muitas vezes equivocados.

Lembram quando o Lula disse que a crise financeira era coisa de gente branca e de olhos azuis? Ninguém levantou a bandeira do preconceito, mas a frase é muito preconceituosa. Mas aí pode. Se trocássemos as pessoas brancas por argentinos negros, alguém reclamaria?

Myrian Rios tem razão em ter o direito de escolher quem deve trabalhar em sua casa. Acredito que, como mãe e de acordo com suas crenças, pode sim escolher quais influencias quer para seus filhos.

Vamos supor que ela não estivesse se referindo a orientação sexual, mas a orientação religiosa. Como evangélica imagino que a deputada não contrataria uma praticante da umbanda para trabalhar em sua casa. Ainda assim seria preconceito ou direito dela?

Muito bem, o preconceito só vale quando é contra uma classe que não tem o nosso apoio. Isso está comprovado.

Homofobia e pedofilia

Agora vamos tratar de outro trecho:

“Vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas. E eu não vou poder fazer nada”.

Agora sim, é uma questão de preconceito e de completa ignorância. De onde vem a ideia de que todo pedófilo é homossexual?

O preconceito geralmente vem de uma generalização superficial, sem fundamento prático e é usado com caráter discriminatório. Acho que se encaixa perfeitamente no segundo trecho.

Enquanto defendia a continuidade de sua cultura ou orientação sexual para seus descendentes Myrian acertou, depois, ao fazer uma afirmação estúpida e totalmente sem sentido, errou feio.

Procurei na internet alguma fonte de pesquisa confiável que pudesse atestar se havia qualquer lógica sobre a orientação sexual e a pedofilia. Não encontrei nada de relevante.

Em meu entender, atribuir uma prática criminosa aos homossexuais pode ser considerado homofobia. É a mesma coisa que eu escrever que os imigrantes judeus são estelionatários ou que os moradores das favelas são traficantes.

Agora, pessoas, a postura discriminatória da deputada não pode servir de justificativa para retaliações agressivas. Pode parecer legal malhar a nova Judas, mas não vejo nada de construtivo na postura.

Partindo para ações práticas e que resolvam algo

Toda vez que optamos por matar o mensageiro da notícia ruim é como se tentássemos nos enganar ou assumíssemos que não conseguimos lidar com o problema.

Será que as pessoas não percebem que rechaçar a pessoa que tem um raciocínio equivocado não faz com que ela mude? Pior que isso, faz com que outras pessoas, com o mesmo raciocínio, se calem.

Se todos que tem preconceito se calarem por medo de serem perseguidos como saberemos tratar a questão? O problema não é a pessoa, mas sim a falta de informação dela perante algo. Entendem a diferença?

Será impossível reduzir os preconceituosos a zero. Se fossemos perseguir e matar todos faltaria lugar para enterrar gente e acabaríamos, em algum momento, tendo que nos enterrar também, assim como na obra de Machado de Assis, “O alienista”.

Acredito que o melhor caminho para atenuar o preconceito é acabar com a ignorância.

Sou contra eventos como a parada gay porque mais causam ojeriza do que informam, preferia que livros fossem escritos contando o dia a dia dos homossexuais, mostrando que são iguais aos dos héteros.

Seria bacana mostrar aos ignorantes como é a vida de quem tem uma orientação diferente da deles, sem forçar a barra. Nada que fosse ofensivo, mas dando uma visão como “olha aqui, não há nada de errado em convivermos de forma harmoniosa sem que o seu jeito de viver ou o meu pareçam errados”.

Um e-book gratuito talvez fosse um caminho, abrir espaço em programas de televisão também, pena que a maioria dos programas que colocam homossexuais são para mostrar um circo caricaturizado para dar ibope ao invés de combater os arquétipos. O que você pode fazer nessas horas? Mude de canal.

Uma coisa é fato, não é hostilizando alguém que tem preconceito que algo irá realmente mudar, melhor partir para o caminho da conscientização.


5 de jul. de 2011

Você tem medo de dizer eu te amo?

Circulou na internet um vídeo muito especial. Nele, um garoto, vietnamita ou chinês, aparece respondendo a perguntas de uma interlocutora que não vemos na tela. Aparentemente trata-se de uma reportagem feita com crianças de uma escola, sobre o amor.

Ele confessa a esta pessoa que gosta de uma menina, mas que prefere deixar este sentimento em segredo por que acha que se o mundo tomar conhecimento do que sente por ela, vai rir dele. E, ao ser indagado do porquê ririam dele, e afirmou: “ela não gosta de mim”. Em seguida, surge a garota. A mesma interlocutora pergunta a ela qual o nome do seu melhor amigo e ela cita o nome do garoto. Então, lhe é perguntado se ela tem um namorado, ela diz que sim, e o garoto ali ao lado, olhando ansiosamente para sua amada.

Quando perguntam à garota, qual o nome de seu namorado, ela diz o nome dele, do menino. A expressão de felicidade no rosto dele é incrível, ele fica radiante ao descobrir que ela nutre por ele o mesmo sentimento. O vídeo encerra com uma frase que diz mais ou menos assim: você pode escolher entre o amor e o medo. Ele mostra o quanto, desde muito cedo, desenvolvemos um dos sentimentos mais comuns entre os seres humanos, que é o medo de não ser amado, de não ser aceito como se é, de não conseguir o amor e a atenção de quem amamos.

Você é o problema e é o criador do problema e cria problemas a partir de tudo. Mesmo se você encontrar Deus, você criará problemas a partir dele. Mesmo que você chegue ao paraíso, você criará problemas a partir do paraíso – porque você é a fonte original dos problemas. Você não irá se entregar. Esse ego que não se entrega é a fonte de todos os problemas.
Osho, Vigyan Bhairav Tantra.
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